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O Brasil possui mais de 200 barragens em situação crítica e com risco de acidentes que podem afetar populações, estradas e pontes. O dado consta no Relatório de Segurança de Barragens de 2026, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). As estruturas de mineração e de abastecimento de água concentram a maior parte dos pontos de atenção, espalhados por 19 estados e pelo Distrito Federal, com destaque para Ceará, Mato Grosso e São Paulo.
O documento aponta que, no ano anterior, o país registrou 18 acidentes e 23 incidentes com barragens. Essas ocorrências resultaram em evacuações e danos materiais, embora não tenham deixado vítimas fatais. O avanço na implementação da política nacional de segurança, contudo, é considerado lento pelas autoridades: quase metade das 30 mil barragens cadastradas no sistema federal continua com situação indefinida devido à falta de informações técnicas fundamentais.
O estudo revela ainda que, pela primeira vez desde a tragédia de Brumadinho em 2019, houve redução no número de profissionais dedicados à fiscalização dessas estruturas. Atualmente, o déficit nas equipes técnicas é de pelo menos 220 especialistas para atingir o contingente mínimo recomendável. Apesar do quadro de pessoal defasado, o relatório destaca que o setor elevou o volume de vistorias de campo e auditorias documentais para tentar conter os riscos operacionais.